tempo sem entrar aqui, mais de ano.
Estou sem trabalhar há cinco meses, nada de cirurgias, nem cpal.
Sabe aquelas coisas que você acha que nunca irão acontecer com você? Pois é, acontecem.
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Mas eu volto, sim.
domingo, 23 de maio de 2010
quarta-feira, 11 de março de 2009
Tempo...
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Não sei...

ando muito emotiva. Talvez por tal motivo não tenho conseguido escrever aqui. Mas no sábado perdi dois pacientes em fase terminal e não fiquei muito bem. O trabalho foi bacana, a família foi bem acolhida por toda a equipe, mas não sei...
Ontem passei minha última visita numa senhora de 97 anos que a família resolveu levar para um asilo japonês. Ela chorava muito, não queria ir. Segurou minha mão, fez uma reverência e me agradeceu, chorando. saí do quarto dela aos prantos.
Não sei....talvez seja por causa da proximidade do final de ano. Sempre fico mais emotiva.
Não sei...
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(imagem: Vicente Santander)
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Daí....

que eles não eram casados no papel, mas era o grande sonho dela.
Ele era o paciente, tinha um câncer avançado que deformava a sua face e o seu pescoço.
Daí surgiu a pergunta: - Vocês não gostariam de se casar? Poderíamos pedir ao juiz para pular alguma etapa, como os proclamas. Casariam-se no civil e religioso, pois era católicos.
Empolgação geral. Ela ficou iluminada, ele sorria acanhado.
O juiz atendeu ao nosso pedido e aceitou realizar a cerimônia sem os proclamas, pois ele estava com sua doença muito avançada e talvez não houvesse tempo.
Cabelo arrumado, foi uma correria para arranjar um vestido para ela. Não tinha nenhum. Compraram um azul e ela ficou toda feliz.
Casaram-se no civil. Ela exibia a certidão para todo mundo dizendo que agora sim era uma mulher casada.
Uma semana depois foi realizada a cerimônia religiosa. O padre foi até lá, teve bolo branco, com direito a bonequinhos de noivos e tudo o mais. Eles choraram, ela de branco, ele de terno improvisado e gravata. Ganharam as alianças dos colegas de trabalho dele. Brinde cruzando as taças. Todos felizes, tudo perfeito.
Uma semana depois ele foi dormir e não acordou mais. Não sofreu, não sangrou, não agonizou. Apenas dormiu. Para sempre.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Pausa...

Falta de histórias? Não, não foi mesmo. Foi pura falta de tempo para escrever qualquer linha. E, para minha decepção, quando finalmente venho tirar a poeira e tentar um retorno mais inspirado, leio um comentário de alguém se dizendo deprimido após ler o que eu escrevi.
Sinto, mesmo.
Muitas histórias se passaram, muitas pessoas já partiram, outras ainda partirão, com ou sem minha pesença. Et alors....eu retorno ao espaço.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ele era magro mesmo antes de adoecer. Magro e deprimido.
Foi meu paciente de ambulatório, operei seu primeiro câncer.
Quatro filhos, três deles eram mulheres e que não se entendiam. Pai que nunca havia beijado os filhos.
Mau marido, eram separados. Ele morava no mesmo terreno que ela, mas não coabitavam a mesma casa, cada um tinha a sua.
Entrou lá porque a família, mesmo tão zelosa com ele, não suportava mais os cuidados com ele, que estava chagando ao final da vida e com uma doença malígna. É, algumas doenças malígnas cheiram mal.
Cuidamos dele, do odor do seu tumor, da sua dor. E cuidamos da dor de seus filhos e de sua ex mulher também.
Eu sabia que ele morreria no meu plantão. E assim aconteceu.
Ficamos juntos do começo ao fim...
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