sábado, 10 de novembro de 2007

Fragmentos...

Não tinha dor. Sempre deitado, pois não lhe restavam forças sequer para sentar. Sempre tranqüilo, sorrindo para todos. Principalmente para mim. Fiz seu diagnóstio, infelizmente já em fase avançada. Desobstrui suas vias respiratórias, abrindo sua traquéia e introduzindo uma cânula para que não faltasse o ar e morresse sufocado.
Ontem começou a tossir. Muita secreção pulmonar. Seu estômago parou de funcionar e o suco gástrico começou a voltar. Tive de suspender sua alimentação pela sonda.
- Seu corpo não necessita mais de alimento, expliquei para sua aflita, mas conformada esposa. Pareceu-em que ela entendeu, muito embora alimentar um doente signifique para seu familiar o mesmo que dar amor.
Enfim...
Ele me olhou. Vi que agonizava, que não suportava mais nem respirar. Entendi aquele olhar como uma súplica. demos para ele medicamento para relaxar.
Passou a noite com sua esposa e filho. Partiu hoje cedo. Foi fazer ternos em algum lugar, não sei em qual andar. Acho que foi para o de cima. Ele era alfaiate...

Um comentário:

adelaide amorim disse...

De grande beleza, seu post. Um beijo.